segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O que seria do dia sem a noite?
O dia só é bacana
Porque o que parece ser o fim
Pode ser o começo.
Porque o escuro é proposital
Para poder mostrar a luz
Que cada um tem por dentro.
É, na noite, que a coragem traz a tona
O que cada um esconde.
Para não causar espanto
Aos que nada entendem
De dor, de cor, de amor.
Assim eu vejo a noite:
Mais bela do que o dia
Porque revela o que está oculto
Porque revela o que é culto
E o que mais curto
Que é o brilho das estrelas:
Pequenos pontos no céu
Tão significantes, apesar de distantes
Mas que me guiam
Rumo à felicidade
Que sinto mais do que entendo
Que vivo intensamente
E sei que está dentro
Dos pequenos grandes momentos,
Como este.
O que é um dia sem a noite?
Ela surge pra diminuir a luz do lado de fora
E dar vazão a luz interior.
É nela que a gente brilha
E mostra o que é por dentro.
É ela que faz chorar
Pelo que perdemos
Para novos rumos encontrar.
Para ela, as estrelas brilham
Com toda sua força,
Com todo seu esplendor.
Com elas, o céu fica mais belo
Quando dão o ar da sua graça,
Quando sentimos sua energia.
Sua distância parece ser mínima
Porque consigo tocá-las
Com o meu coração.
E, fica claro,
Que tamanho aparente
É diferente de ser.
Aos meus olhos
É como um grão de areia no céu,
Mas, para o meu coração,
Seu tamanho é infinito.
A noite é para os que amam
E para os que nunca desistem do amor.
É para os que procuram alguma coisa
E, para os que sem nenhuma pretensão, acham.
É para os que fazem algo na vida
E para os que estão em algum lugar,
Mesmo sem saber porquê.
A noite é para se fazer as coisas
Que nem sempre devemos,
Mas que nos fazem sorrir
Quando olhamos para trás.
É quem nos devolve
O riso a face
E a juventude à maturidade.
Por isso, dou-te graças
E sempre serei muito feliz
Enquanto noites houver.

sábado, 3 de outubro de 2009

Com o tempo
Você se acostuma a não ser mais o que era,
 A não agir mais por impulso,
A ser mais racional,
A ser menos sensível
Porque assim você sente menos dor
Quando lhe ferem com uma palavra,
Você sublima mais o silêncio,
Você convive melhor com a solidão coletiva.
Assim caminha a humanidade:
Há passos largos rumo ao coração deserto,
Rumo a cidades pré-moldadas,
Por caminhos tão claros
Cujo fim parece o começo.
Assim escrevemos a história hoje:
Suficiente para o agora,
O insustentável para o amanhã,
O inexistente para o futuro.
Pode-se pensar que é pessimismo,
Mas é realismo
Para que alguém desperte da anestesia
E altere o curso, de novo, pra vida.